FAMÍLIA DE CRIANÇA COM LESÕES NO CÉREBRO FAZ CAMPANHA PARA TRATAMENTO



A família de João Guilherme Tomita Leite, de três anos, morador da cidade de Maragogipe, no Recôncavo Baiano, faz uma campanha na internet para garantir recursos para o tratamento médico da criança diagnosticada com lesões no cérebro.
Por conta da doença, a criança respira com ajuda de aparelhos e se alimenta apenas por sonda. O neurologista que acompanha a criança indicou o uso do medicamento Revivid, que é derivado da maconha. A família do garoto já conseguiu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar o remédio, que deve custar cerca de R$ 6 mil.
Por meio do site de financiamento coletivo "Vakinha", além de um blog e uma página no Facebook, chamadas “Mundo de John”, a família pretende arrecadar cerca de R$ 30 mil. Na internet, os familiares compartilham ainda contas bancárias e endereço para que sejam enviadas ajudas ao bebê.
O garoto foi diagnosticado com encefalopatia hipóxia isquêmica, agenesia total do corpo caloso, que provocam epilepsia de difícil controle.
Segundo a família, o custo mensal dos cuidados com a criança, que incluem medicações, é de cerca de R$ 20 mil.
A mãe dele, Tamires Daiane Paranhos Tomita, de 23 anos, não pode estudar ou trabalhar, dedicando tempo integral para cuidar da criança. O menino precisa respirar com ajuda de um aparelho, devido às convulsões. 
"Ele tem que ser monitorado 24 horas. Ele precisa ser aspirado muitas vezes, porque acumula secreção. É uma criança que requer 100% de atenção  da pessoa que cuida dele. Eu parei a vida e vivo só em função dele. Hoje eu não posso voltar a estudar e trabalhar, porque o cuidado é exclusivo", conta a mãe.
A avó da criança, a professora Denise da Conceição Paranhos, está desempregada e diz que a família só tem a renda do marido, avô da criança, para as despesas com a saúde do garoto. João Guilherme já recebe ajuda financeira de moradores da cidade e também de pessoas que se sensibilizam com a história compartilhada na internet.
"Estamos vivendo de doações de pessoas da cidade. Ano passado, fizemos um bingo beneficente e conseguimos comprar equipamentos, como o aparelho de aspiração", relata a avó.
Assim que nasceu, João foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já tinha dificuldade de respirar e convulsões, mas ainda não havia sido diagnosticado com as lesões.
Em julho de 2015, o menino teve uma parada cardíaca, entrou em coma e, depois disso, ele não consegue movimentar os braços e as pernas.
"Ele está com fisioterapia intensa para trazer os movimentos. Os médicos disseram que foi por conta da encefalopatia e que foi uma lesão muito grande no cérebro dele. Por conta das convulsões e das muitas doses de remédios, ele fica muito debilitado", diz a mãe.
A criança também tem alergia e intolerância à lactose, o que requer ainda mais cuidados da família. "Ele passa por fisioterapia duas vezes por semana. A assistência da saúde em domicilio quem mantém é a prefeitura de Maragogipe. Temos também a visita de um médico e de um enfermeiro em casa", conta Tamires Daiane.
Lesões
O professor da Escola Bahiana de Medicina e médico do Hospital Cardio Pulmonar, Humberto de Castro Lima Filho, explica que as lesões no cérebro de João Guilherme costumam causar epilepsia.

"São essas lesões cerebrais que causam a epilepsia. Tem que ver as medicações para cada caso. É importante que se ache o tratamento adequado para ele", indica.
"A encefalopatia hipóxico isquêmica é quando falta fluxo sanguíneo no cérebro. Isso pode ocorrer perto do parto, pode ser um derrame uterino ou hipoglicemia no parto, as causas são diversas. Isso leva a um dano cerebral, a uma isquemia, que é como se fosse um infarto", compara o neurologista.
Já a agenesia total do corpo caloso, é uma má formação do desenvolvimento cerebral, que pode ter causas genéticas. "O corpo caloso comunica uma parte a outro do cérebro. Isso geralmente está associado a malformação do desenvolvimento cerebral", informa o médico.
De acordo com Humberto de Castro Lima Filho, as duas lesões cerebrais costumam não evoluir. "Ele teve lesões que costumam ser estáticas e não tendem a piorar, não é degenerativo e não é progressivo. Não tende a piorar nesse sentido", afirma.
G1
FAMÍLIA DE CRIANÇA COM LESÕES NO CÉREBRO FAZ CAMPANHA PARA TRATAMENTO FAMÍLIA DE CRIANÇA COM LESÕES NO CÉREBRO FAZ CAMPANHA PARA TRATAMENTO Reviewed by Mural do Oeste on sábado, outubro 08, 2016 Rating: 5
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